Ponteiro

Custo fixo e custo variável do caminhão

Publicado em

Todo custo de operar um caminhão cai numa de duas categorias: existe mesmo com o caminhão parado, ou só existe quando ele roda. A diferença não é só contábil: é o que explica por que dois caminhões idênticos, um rodando muito e outro rodando pouco, têm um custo por quilômetro completamente diferente.

Custo fixo: o que o caminhão custa parado

Esses itens existem todo mês, o caminhão saindo da garagem ou não:

  • Depreciação. O caminhão perde valor com o tempo, rodando ou parado: um veículo de dois anos vale menos que um novo mesmo que tenha passado seis meses encostado. É custo real, mesmo sem sair dinheiro do bolso naquele mês.
  • Remuneração do capital. O dinheiro que está parado no caminhão, em vez de aplicado, teria rendimento se estivesse investido. Sem essa linha, o frete é comparado com zero, e não com a alternativa real de não ter comprado o caminhão.
  • Seguro. Cobre o veículo o ano inteiro, rode ele muito ou pouco.
  • IPVA e outros impostos do veículo. Cobrados por ano, não por quilômetro.
  • Financiamento. A parcela vence todo mês, o caminhão trabalhando ou na oficina.
  • Rastreamento, contador, e outros custos administrativos ligados a ter o veículo, não a usá-lo.

Custo variável: o que só existe com a roda girando

  • Diesel. O maior item variável, direto: preço do litro dividido pelo consumo em km por litro.
  • Pneu. O preço do jogo de pneus dividido pela vida útil esperada em quilômetros: um pneu de R$ 2.650 que dura 90 mil km custa cerca de R$ 0,03 por km, só nele.
  • Manutenção. Óleo, filtro, revisão, peças de desgaste: soma direto por quilômetro rodado, como um valor de referência por km ou um total dividido pela quilometragem esperada entre revisões.

Repare que os três variam de formas diferentes: o diesel entra como preço ÷ consumo, o pneu como preço ÷ vida útil (um jeito de tratar um gasto grande e raro como se fosse por km), e a manutenção costuma entrar direto, como um valor por km já apurado.

Por que o custo por km sobe quando o caminhão roda menos

Essa é a parte que confunde: o custo variável por km não muda com a quilometragem rodada (o litro de diesel custa o mesmo, rode o caminhão 2 mil ou 10 mil km). O que muda é a fatia do custo fixo que cada quilômetro carrega.

O custo fixo mensal é sempre o mesmo número, tenha o caminhão rodado muito ou pouco. Dividir esse número por menos quilômetros dá uma fatia maior por quilômetro. Um caminhão que rodava 10.000 km por mês e passou a rodar 6.000 km, com o mesmo custo fixo, tem uma fatia de custo fixo por km quase 70% maior, mesmo sem nada ter mudado no diesel, no pneu ou no seguro.

Exemplo, números fictícios: um custo fixo mensal de R$ 8.000.

  • Rodando 10.000 km no mês: R$ 8.000 ÷ 10.000 = R$ 0,80 de custo fixo por km.
  • Rodando 6.000 km no mês: R$ 8.000 ÷ 6.000 ≈ R$ 1,33 de custo fixo por km.

O caminhão continua sendo o mesmo, com o mesmo seguro e a mesma depreciação. O que mudou foi só o quanto ele trabalhou, e é justamente por isso que "cobrar pouco pra manter o caminhão rodando" pode sair mais caro do que parecia: rodar mais barato só compensa se o volume cobrir a fatia extra de custo fixo que cada frete deixou de pagar.

Como isso entra no preço de um frete

O guia de como calcular o frete mostra a conta completa: o custo fixo vira um valor por dia (custo fixo mensal ÷ dias trabalhados), o custo variável vira um valor por km, e a viagem soma os dois pela sua duração e distância antes de aplicar a margem.

Veja o custo do seu caminhão, não só a teoria

A calculadora usa a mesma conta deste guia com os números do seu caminhão, sem cadastro.

Falar no WhatsApp