Carga fracionada: como dividir o custo da viagem
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Um caminhão fechado tem um preço só: o custo da viagem inteira, com a margem desejada, dividido por ninguém. O cliente que fecha a carga inteira paga o valor cheio. O problema aparece quando a carga não enche o caminhão: cobrar o valor cheio de quem manda só uma parte da capacidade não faz sentido, mas dividir errado também não.
Quatro jeitos de medir "quanto da carroceria isso ocupa"
A carga fracionada precisa de uma régua para dizer que fração do caminhão ela ocupa, e existe mais de uma régua possível:
- Peso. Preço do caminhão cheio ÷ capacidade em quilos = preço por quilo.
- Pallets. Preço do caminhão cheio ÷ quantidade de pallets que cabem = preço por pallet.
- Volume. Preço do caminhão cheio ÷ volume útil em m³ = preço por metro cúbico.
- Metro de piso (metro linear). Preço do caminhão cheio ÷ comprimento útil = preço por metro ocupado no chão da carroceria.
Cada régua, aplicada à carga do cliente, dá um preço fracionado diferente: quantos quilos ele manda vezes o preço por quilo, quantos pallets vezes o preço por pallet, e assim por diante.
Por que o maior dos quatro vence
Aqui está o ponto que faz toda a diferença: o preço cobrado é o maior valor entre os quatro, não uma média, e não sempre o mesmo critério.
O motivo é o que o mercado chama de "peso cubado". Uma carga de isopor pode encher o caminhão inteiro (ocupar todo o volume e todo o metro de piso) pesando quase nada: cobrar só pelo peso dessa carga seria cobrar centavos por um caminhão que não pode levar mais nada. Do outro lado, uma carga de parafusos em um único pallet pode pesar 800 kg sem ocupar quase nenhum espaço: cobrar por pallet ou por volume seria cobrar muito pouco por um peso que exige o caminhão inteiro para carregar com segurança.
A régua certa muda com a carga: às vezes é o peso que manda, às vezes é o espaço. Calcular os quatro preços e cobrar o maior é o que garante que a carga que mais ocupa (seja em que dimensão for) sempre paga a fração real que está tomando do caminhão.
Se o veículo não tiver capacidade cadastrada numa dessas quatro dimensões, essa régua simplesmente não entra na disputa. As outras três decidem sozinhas.
Um exemplo completo (números fictícios)
Um caminhão com capacidade para 27.000 kg, 28 pallets, 92 m³ de volume útil e 14 metros de piso, cujo preço cheio (com todos os custos e a margem) seria R$ 8.000 nesta viagem.
Preços por unidade:
- Por quilo: R$ 8.000 ÷ 27.000 ≈ R$ 0,2963/kg
- Por pallet: R$ 8.000 ÷ 28 ≈ R$ 285,71/pallet
- Por m³: R$ 8.000 ÷ 92 ≈ R$ 86,96/m³
- Por metro de piso: R$ 8.000 ÷ 14 ≈ R$ 571,43/m
Um cliente manda uma carga de 6.000 kg, 5 pallets, 18 m³ e 3 metros de piso:
- Por peso: 6.000 × 0,2963 ≈ R$ 1.777,78
- Por pallets: 5 × 285,71 ≈ R$ 1.428,57
- Por volume: 18 × 86,96 ≈ R$ 1.565,22
- Por metro de piso: 3 × 571,43 ≈ R$ 1.714,29
O maior dos quatro é o peso, R$ 1.777,78: é esse o valor cobrado, porque é o peso, entre as quatro medidas, que mais se aproxima de ocupar a capacidade do caminhão nesta carga.
O que isso não substitui
O rateio por dimensão diz quanto cobrar de cada cliente numa carga dividida. Não muda o custo da viagem em si (esse continua sendo o custo fixo e variável de sempre) nem decide sozinho se a viagem fracionada compensa mais que esperar uma carga fechada. Essa parte continua sendo decisão de quem roda a operação.
Veja o custo do seu caminhão, não só a teoria
A calculadora usa a mesma conta deste guia com os números do seu caminhão, sem cadastro.